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sábado, 27 de fevereiro de 2010

FILOSOFIA - VESTIBULAR UFPR/ ENEM

retirado de http://www.nc.ufpr.br/concursos_institucionais/ufpr/ps2010/filosofia.htm

PROVA ESPECÍFICA DE FILOSOFIA - PROCESSO SELETIVO 2010/2011

As questões da prova específica de filosofia versarão sobre temas e problemas de diferentes áreas da filosofia (ética, estética, epistemologia e filosofia política) e serão formuladas a partir de textos clássicos da história da filosofia, de diferentes épocas e orientações teóricas. Na avaliação, levar-se-á em conta a habilidade do candidato para identificar e compreender teses, argumentos, conceitos, polêmicas e problemáticas filosóficas presentes nos textos ou deles decorrentes. Será também requerido do candidato que revele conhecimento das circunstâncias históricas mais imediatas da produção e da recepção dos textos em análise, mediante a consideração das suas interlocuções com a tradição filosófica e cultural.

A prova de filosofia pretende, portanto, aferir a competência dos candidatos numa prática que é, sob qualquer perspectiva que se encare a formação filosófica no ensino médio, rigorosamente indispensável: a leitura de textos filosóficos. Os pressupostos pedagógicos e filosóficos dessa orientação para a prova são (i) que as habilidades acima descritas constituem instrumentos universais para exercício da leitura reflexiva e crítica de textos filosóficos e (ii) que aquelas habilidades poderão ser despertadas, aprendidas e aperfeiçoadas independentemente de os autores ou os textos analisados serem aqueles indicados por este programa.

Portanto, as indicações bibliográficas para a prova de filosofia que aqui se farão não devem ser encaradas como o resultado da identificação de um minimum de leituras que o estudante do ensino médio deve realizar durante as aulas de Filosofia. Visto que o objetivo não é averiguar conhecimentos cumulativos e textuais da história da filosofia, mas a capacidade de compreender e discutir textos filosóficos no contexto das questões e dos debates clássicos da filosofia, muitos outros tipos de formação e de preparação prévia são compatíveis com os objetivos da prova, mesmo aqueles que não contemplem o estudo das obras abaixo indicadas.

Nesse sentido, cabe ressaltar que essa orientação básica adotada para a prova é plenamente compatível tanto com as linhas praticadas no ensino privado quanto com as diretrizes que a Secretaria de Estado da Educação está desenvolvendo para o Ensino Médio, tendo em vista que o objetivo não é o conhecimento de um ou outro filósofo, mas o desenvolvimento de ferramental básico para leitura e compreensão de quaisquer textos filosóficos.

Sendo assim, as questões da prova serão circunstanciadas em determinados textos filosóficos e, para uma boa preparação que contemple uma maior familiaridade com os objetos de análise nas questões e com a terminologia consagrada pelos textos empregados na sua formulação, recomenda-se a leitura prévia desses textos. Os textos indicados são os seguintes:

1. DESCARTES, René. O Discurso do Método [trad. Bento Prado Jr.] São Paulo: Nova Cultural, 1987, 4. ed. (Col. Os Pensadores)


2. PLATÃO. A República: Livro X. [Trad.: Elza Moreira Marcelina] 2 Ed. Brasília: Editora UnB, 1996.


3. MERLEAU-PONTY, Maurice. “Einstein e a crise da razão”. In: Signos. São Paulo: Martins Fontes, 1991. P. 213-22.


4. Rousseau, Jean-Jacques, Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens. 5. ed., São Paulo: Nova Cultural, 1991. (Col. Os Pensadores)

(Obs.: As referências feitas aqui a determinadas edições das obras indicadas têm como objetivo apenas estabelecer um padrão; elas podem ser substituídas, sem qualquer prejuízo, por outras no mesmo nível ou ainda melhores, quando for o caso. São públicos e notórios os equívocos grosseiros cometidos em determinadas traduções de textos filosóficos fartamente disponíveis no mercado editorial brasileiro. O objetivo da indicação dessas edições é apenas possibilitar um patamar mínimo de rigor e qualidade acadêmica para a avaliação das edições a serem utilizadas na preparação para a prova.)

ENEM 2009

Segundo Aristóteles, “na cidade com o melhor


conjunto de normas e naquela dotada de homens

absolutamente justos, os cidadãos não devem viver uma

vida de trabalho trivial ou de negócios — esses tipos de

vida são desprezíveis e incompatíveis com as qualidades

morais —, tampouco devem ser agricultores os aspirantes

à cidadania, pois o lazer é indispensável ao

desenvolvimento das qualidades morais e à prática das

atividades políticas”.

VAN ACKER, T. Grécia. A vida cotidiana na cidade-Estado.

São Paulo: Atual, 1994.

O trecho, retirado da obra Política, de Aristóteles, permite

compreender que a cidadania:

A ) possui uma dimensão histórica que deve ser criticada,

pois é condenável que os políticos de qualquer época

fiquem entregues à ociosidade, enquanto o resto dos

cidadãos tem de trabalhar.

B ) era entendida como uma dignidade própria dos grupos

sociais superiores, fruto de uma concepção política

profundamente hierarquizada da sociedade.

C) estava vinculada, na Grécia Antiga, a uma percepção

política democrática, que levava todos os habitantes

da pólis a participarem da vida cívica.

D) tinha profundas conexões com a justiça, razão pela

qual o tempo livre dos cidadãos deveria ser dedicado

às atividades vinculadas aos tribunais.

E) vivida pelos atenienses era, de fato, restrita àqueles

que se dedicavam à política e que tinham tempo para

resolver os problemas da cidade.


TEMA REDAÇÃO: ÉTICA NO PAÍS - FILOSOFIA
 
"ÉTICA NO PAÍS É TEMA DA REDAÇÃO DO ENEM 2009

Ana Okada
Suellen Smosinski
Em São Paulo

A ética no país foi o tema escolhido para a redação do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2009. A dissertação foi aplicada neste domingo (6) em todo o país, juntamente com as provas de português e de matemática.
Segundo estudantes ouvidos pelo UOL Educação, a coletânea de textos era enxuta, com pequenos fragmentos servindo como base para os candidatos.
Nicole Albea Eleutheriou, 23, saiu confiante da sala de provas na zona oeste da capital. "Do jeito que está a política, deu para escrever bastante. Achei o tema muito bom", disse.
Já Talita Bonifácio, 17, não ficou tão feliz assim com a escolha da banca examinadora. "Era um tema complexo. Minha redação foi péssima." Rafael Souza Lima, 18, avaliou o assunto como "interessante, mas difícil".

UFPR - FILOSOFIA PROVA

O texto a seguir é referência para as questões 01 e 02.


No livro VII de A República, Platão apresenta a passagem conhecida por “Alegoria da Caverna”. Platão usa essa alegoria para representar o processo correto de educação do ser humano. Leia o seguinte trecho da República no qual o personagem Sócrates fala àqueles que foram educados corretamente:

"Mas a vós, nós formamos-vos, para vosso bem e do resto da cidade, para serdes como os chefes e os reis nos enxames de abelhas, depois de vos termos dado uma educação melhor e mais completa do que a deles, e de vos tornarmos mais capazes de tomar parte em ambas as atividades. Deve, portanto, cada um por sua vez descer à habitação comum dos outros e habituar-se a observar as trevas. Com efeito, uma vez habituados, sereis mil vezes melhores do que os que lá estão e reconhecereis cada imagem, o que ela é e o que representa, devido a terdes contemplado a verdade relativa ao belo, ao justo e ao bom. E assim teremos uma cidade para nós e para vós, que é uma realidade, e não um sonho, como atualmente sucede na maioria delas, onde combatem por sombras uns com os outros e disputam o poder, como se ele fosse um grande bem. Mas a verdade é esta: na
cidade em que os que têm de governar são os menos empenhados em ter o comando, essa mesma é forçoso que seja a melhor e mais pacificamente administrada, e naquela em que os que detêm o poder fazem o inverso, sucederá o contrário.

(PLATÃO, A República, Livro VII, 520 b – d)


01 - Por que, de acordo com o personagem Sócrates, aqueles que receberam a educação proposta na República devem governar?



02 - De acordo com o personagem Sócrates, como se davam efetivamente as disputas políticas nas cidades?



03 - Segundo Platão no Livro VII de A República, quem contempla o bem prefere não retornar aos afazeres humanos quotidianos. Mesmo assim, Platão afirma que na cidade por ele concebida, aqueles que realizaram a ascensão para fora da caverna e contemplaram o bem devem ser obrigados a retornar ao convívio daqueles que não o contemplaram e a dedicar-se à administração da cidade. Após o personagem Sócrates apresentar essa tese, o personagem Glaucon adota uma posição que lhe é contrária. Glaucon afirma que a obrigação de fazer com que os que contemplaram o bem dediquem-se ao governo da cidade é uma injustiça contra eles. Contra a opinião de Glaucon, Sócrates responde: Esqueceste-te, novamente, meu amigo, que à lei não importa que uma classe qualquer da cidade passe excepcionalmente bem, mas procura que isso aconteça à totalidade dos cidadãos, harmonizando-os pela persuasão ou pela coação, e fazendo com que partilhem uns com os outros do auxílio que cada um deles possa prestar à comunidade; ao criar homens destes na cidade, a lei não o faz para deixar que cada um se volte para a atividade que lhe aprouver, mas para tirar partido dele para a união da cidade.

(PLATÃO, A República, Livro VII, 519 e 520 a).

Em outras palavras, qual foi à resposta de Sócrates?


04 - Leia o seguinte trecho:

Resta agora ver quais devem ser os modos e os atos de governo de um príncipe para com os súditos ou para com os amigos.
E porque sei que muitos escreveram sobre isso, temo, escrevendo eu também, ser considerado presunçoso, sobretudo porque, ao debater esta matéria, afasto-me do modo de raciocinar dos outros. Mas, sendo a minha intenção escrever coisa útil a quem escute, pareceu-me mais convincente ir direto à verdade efetiva da coisa do que à imaginação dessa. E muitos imaginaram repúblicas e principados que nunca foram vistos, nem conhecidos de verdade. Porque há tanta diferença entre como se vive e como se deveria viver, que quem deixa aquele e segue o que se deveria fazer aprende mais rapidamente a sua ruína que sua preservação: porque um homem que deseja ser bom em todas as situações, é inevitável que se destrua entre tantos que não são bons. Assim, é necessário a um príncipe que deseja conservar-se no poder aprender a não ser bom, e sê-lo e não sê-lo conforme a necessidade.

(MAQUIAVEL. O Príncipe. cap. XV. São Paulo: Ed. Hedra, 2007.)

a) De acordo com o trecho acima, qual é, segundo Maquiavel, a diferença entre sua obra e outros textos políticos?


b) Para Maquiavel, qual é a vantagem de sua abordagem?


05 - Considere o trecho abaixo:

Portanto, que estes nossos príncipes que estavam há muitos anos nos seus principados, por tê-los perdidos depois, não acusem a fortuna, mas a sua indolência: porque, não tendo nunca, nos tempos de paz, pensado que poderiam mudar – o que é um defeito comum dos homens, não levar em conta, na bonança, a tempestade –, quando depois vieram os tempos adversos, pensaram em fugir e não em se defender; e esperam que o povo, insatisfeito com a insolência dos vencedores, os chamassem de volta. Esta decisão, quando não há outras, é boa; mas é muito ruim ter deixado os outros remédios por este: porque nunca se deve desejar cair, por acreditar que encontrarás quem te acolha. O que ou não acontece, ou, se acontece, não é seguro para ti, por ser esta defesa vil e não depender de ti. E somente as defesas que dependem de ti e de tua própria virtú são boas, certas e duráveis.

(MAQUIAVEL. O Príncipe. cap. XXIV. São Paulo: Ed. Hedra, 2007.)

Com base nesse trecho, responda: como fortuna e virtú se relacionam para a manutenção do poder do Estado?

06 - Quer estejamos despertos ou adormecidos, não devemos nunca nos deixar persuadir, senão pela evidência da nossa razão. E convém frisar que digo de nossa razão, e não de nossa imaginação nem de nossos sentidos. Assim também, não é por vermos o sol muito claramente que devemos julgar que ele seja do tamanho que o vemos (...): pois a razão não nos dita de modo algum que o que assim vemos ou imaginamos é verdadeiro. Mas a razão nos dita que todas as nossas idéias ou noções devem ter algum fundamento de verdade, pois não seria possível que Deus, inteiramente perfeito e inteiramente verdadeiro, as tivesse posto em nós sem isso.

(DESCARTES. Discurso do Método, Quarta Parte.)

Por que, para Descartes, a máxima de que "todas as nossas idéias ou noções devem ter algum fundamento de verdade" aplica-se também às idéias que nos surgem através dos sentidos e da imaginação?

07 - Explique a relação entre ação e razão na tese de Descartes de que “é suficiente julgar bem para proceder bem”. O texto a seguir é referência para as questões 08 e 09.

O existencialista não tem pejo em declarar que o homem é angústia. Significa isso: o homem ligado por um compromisso e que se dá conta de que não é apenas aquele que escolhe ser, mas de que é também um legislador pronto a escolher, ao mesmo tempo que a si próprio, a humanidade inteira, não poderia escapar à sua total e profunda responsabilidade. Decerto há muita gente que não vive em ansiedade, mas é nossa convicção que esses tais disfarçam sua angústia, que a evitam; certamente muitas pessoas acreditam que ao agirem só se implicam nisso a si próprias, e quando se lhes diz: e se toda gente fizesse assim?, eles dão de ombro e respondem: nem toda gente faz assim.

(SARTRE, J. P. O existencialismo é um humanismo. In: “Os Pensadores”, São Paulo, 1973, pág. 15.)


08 - Qual a relação, segundo o texto, entre angústia e compromisso?


09 - O que é ser um legislador na concepção apresentada no texto acima?


10 - Leia com atenção o seguinte trecho:

O homem apresenta-se como uma escolha a fazer. Muito bem. Antes do mais ele é sua existência no momento presente, e está fora do determinismo natural; o homem não se define previamente a si próprio mas em função de seu presente individual.
Não há uma natureza humana que se lhe anteponha, mas é-lhe dada uma existência específica num dado momento.

(SARTRE, J. P. O existencialismo é um humanismo. In: “Os Pensadores”, São Paulo, 1973, pág. 21.)

1) Segundo o texto, por que é possível ao homem escolher?

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